Após perder vice, Tardin acusa grupo de Pivetta de excluir o Podemos: ‘não pode fazer a discussão e isolar um partido como nosso’

Fonte: Da Redação – Rafael Machado / Do Local – Jardel P. Arruda – Olhar Direto

O deputado estadual Fábio Tardin (Podemos) criticou a escolha do deputado federal Fábio Garcia (União) para ocupar a vaga de vice na pré-candidatura de Otaviano Pivetta (Republicanos) e afirmou que o Podemos foi isolado das articulações.

A definição de Garcia ocorreu nesta terça-feira (4), após uma série de negociações em torno da formação da chapa governista. O Podemos, comandado pelo presidente da Assembleia Legislativa, Max Russi, buscava espaço de destaque na composição e chegou a trabalhar com nomes para a vice. A legenda, porém, acabou sem a vaga.

O cenário aumentou a pressão dentro do partido na véspera da convenção, que ocorre nesta terça-feira (4). O Podemos passou a avaliar três caminhos: apoiar Pivetta, aderir ao projeto do senador Wellington Fagundes (PL) ou lançar candidatura própria ao governo.

“Não é com a escolha do Fabinho, poderia ser qualquer outro, não sendo um partido do nosso partido. Acredito que a maior agremiação hoje do Estado, do Mato Grosso, do tamanho do Podemos, com a força que o Podemos temos”, afirmou.

O deputado também criticou o fato de o partido ter participado das articulações ao longo do processo e, no momento da definição, ter ficado sem espaço na chapa.

“Nós caminhamos o tempo todo com o grupo que está aí, e agora, neste momento, apesar de que a política vive de fidelidade, de compromisso com o grupo, não podemos fazer discussão e isolar um partido como o nosso. Então, essa realidade [de candidatura própria] nós vamos definir agora aqui, rapidamente, juntamente com os demais”, declarou.

Podemos dividido

A escolha de Garcia ocorreu depois de o Podemos tentar emplacar um nome na vice de Pivetta. O empresário Elson Ramos era um dos cotados e chegou a participar de reunião no Palácio Paiaguás. Outra possibilidade discutida pelo partido era a primeira-dama de Rondonópolis, Alessandra Ferreira.

Sem a vice, o partido passou a discutir com mais intensidade a possibilidade de candidatura própria. O deputado Nelson Barbudo (PL) afirmou que a maioria do Podemos estaria inclinada a lançar um nome ao governo, citando Elson Ramos e o vice-prefeito de Lucas do Rio Verde, Joci Piccini, entre as opções.

Tardin, por outro lado, revelou que uma das alternativas discutidas internamente era o próprio Max Russi assumir uma candidatura majoritária. Segundo ele, a possibilidade não avançou.

“Olha, nós dialogamos muito, essa noite foi uma noite longa, né? Estávamos lá juntamente com o presidente Max. Agora, de manhã, fizemos outra rodada, outra reunião, para podermos chegar a um denominador comum”, comentou.

“Denominador comum seria qual? O presidente Max ser candidato. Infelizmente, até duas horas atrás, essa possibilidade não avançou”, completou.

O deputado relatou ainda que o partido permanece dividido entre os grupos de Pivetta e Fagundes.

“Queriam lançar outra chapa, poderíamos caminhar com o senador Wellington e com o governador Pivetta. E aí estamos fazendo discussão, alguns optaram por caminhar com o Wellington, outros optaram, como eu, juntamente com o deputado Beto, caminhar com o governador Pivetta”, disse.

Apesar da divisão, Tardin ressaltou que a decisão caberia à convenção e que todos os integrantes da legenda deveriam respeitar o resultado.

“Mas quem tem a palavra final é aqui a convenção, onde realmente vai estar todos os pré-candidatos, os membros do partido, para que possamos aí, de uma vez por todas, aguardar a decisão final do partido, porque o partido é soberano, se achar que deve lançar uma candidatura, nós temos que acompanhar como partidário”, disse.