Fonte: Gislaine Morais/VGN
O deputado estadual e candidato à reeleição Fábio Tardin, o Fabinho (Podemos), cobrou da prefeita de Várzea Grande, Flávia Moretti (PL), uma mudança de postura na relação com a Câmara Municipal e defendeu um pacto institucional para encerrar os constantes embates entre Executivo e Legislativo. “Tem que baixar o tom, baixar a voz, baixar a bola”, afirmou durante entrevista ao programa No Ar, com o jornalista Geraldo Araújo, na manhã desta quarta-feira (02.09).
Fabinho foi questionado sobre a relação entre Flávia e o presidente da Câmara, Wanderley Cerqueira (MDB), marcada por divergências e afastamento político. Para o deputado, Executivo e Legislativo precisam deixar os conflitos de lado e respeitar as atribuições de cada Poder.
“Eu acho que nós devemos fazer um pacto. A prefeita tem que baixar um pouco o tom, baixar a voz, baixar a bola, vamos dizer assim, chamar para uma discussão institucional, respeitar o papel da Câmara”, declarou.
Ex-presidente da Câmara de Várzea Grande, Fabinho afirmou que o Legislativo não pode se limitar a concordar com todas as decisões do Executivo e que a fiscalização e as divergências fazem parte de suas atribuições.
“O papel da Câmara é legislar, é fiscalizar, muitas vezes não concordar com o Executivo. Câmara boa não é a Câmara que só diz amém. Tem que fazer um bom combate, um combate respeitoso, um combate harmonioso”, disse.
Como exemplo, o parlamentar citou a resistência dos vereadores à criação de novas secretarias pela administração municipal em meio ao decreto de calamidade financeira.
“A Câmara fez uma atitude correta. A prefeita decretou calamidade financeira na cidade de Várzea Grande e está querendo criar duas, três secretarias. Inadmissível”, afirmou.
Fabinho também comparou os gastos atuais com pessoal aos registrados durante a gestão da ex-prefeita Lucimar Campos (União). Segundo ele, quando deixou a administração municipal, a folha estava em aproximadamente R$ 25 milhões e, atualmente, o valor teria mais que dobrado.
“Temos que ter cuidado, temos que ter respeito com os funcionários públicos, temos que ter respeito com o cidadão várzea-grandense que paga essa conta e paga o pato”, declarou.
Para o deputado, os conflitos políticos acabam desviando o foco dos principais problemas enfrentados pela população, especialmente nas áreas de abastecimento de água, transporte coletivo e saúde.
“Quem paga o pato é ficar sem água, ficar sem transporte de qualidade, ficar sem um serviço público de saúde de qualidade. É isso que nós temos que fazer: ampliar e melhorar a vida da população várzea-grandense, que tanto sofre”, concluiu.
Durante a entrevista, Fabinho também relembrou sua passagem pela presidência da Câmara e as dificuldades enfrentadas na antiga sede do Legislativo. Segundo ele, o prédio apresentava problemas estruturais graves, inclusive com desabamento de parte do teto sobre uma servidora, o que levou à transferência temporária para um imóvel alugado.
O parlamentar afirmou que a intenção era construir uma nova sede, mas o projeto não avançou. Posteriormente, começaram as tratativas para que a Câmara ocupasse o antigo prédio do Fórum de Várzea Grande, solução que acabou sendo concretizada anos depois.
